Trabalho ·
Porque é que os gigantes da inteligência artificial estão em Zurique
Google, Microsoft, Apple, Meta, OpenAI e Anthropic têm equipas em Zurique. O que cada uma faz lá, porquê esta cidade e o que isto muda, na prática, para quem procura trabalho na Suíça.
Por Ricardo Da Silva, fundador do Rumo Suíça, na Suíça há mais de 30 anos
Verificado e atualizado a
A Suíça é um país pequeno, mas Zurique tornou-se um dos lugares onde se desenvolve inteligência artificial (IA). As grandes empresas americanas estão lá, e disputam entre si os mesmos investigadores. Eis o que confirmámos, empresa a empresa, e o que isto significa para quem pensa trabalhar aqui.
A maioria destas empresas revela pouco sobre as suas equipas, e os números abaixo vêm sobretudo da imprensa. Por isso, indicamos a data de cada um.
Quem está em Zurique
1. Google: começou em 2004, com dois empregados. Em 2021 tinha cerca de 5000 pessoas em Zurique, segundo a Swissinfo, que a descreve como o seu centro de investigação e desenvolvimento mais importante fora dos Estados Unidos. Não encontrámos um número mais recente.
2. Microsoft: abriu em 2019, com a ETH Zurique, um laboratório de realidade mista e IA, ligado aos óculos HoloLens. Em fevereiro de 2025, a imprensa noticiou que a Microsoft AI foi buscar três especialistas à Google DeepMind para um novo laboratório na cidade, ligado ao assistente Copilot.
3. Apple: segundo uma investigação do Financial Times de 2024, tem um laboratório discreto chamado Vision Lab, nascido depois de comprar as empresas locais FaceShift e Fashwell. Trabalha em modelos que combinam texto e imagem. A Apple não descreveu publicamente este trabalho.
4. Meta: chegou em 2016, depois de comprar a Zurich Eye, uma empresa saída da ETH Zurique. O seu escritório trabalha sobretudo em tecnologia para os produtos de realidade virtual e aumentada.
5. OpenAI: anunciou o escritório no fim de 2024, depois de contratar três investigadores à Google DeepMind. Em junho de 2025, esses mesmos três saíram para a Meta, segundo a imprensa. Em outubro de 2026, a Netzwoche continua a indicar uma presença da OpenAI em Zurique.
6. Anthropic: anunciou o escritório em fevereiro de 2025, o terceiro na Europa depois de Londres e Dublin, com Neil Houlsby, vindo da Google DeepMind, à frente. A equipa trabalha nos grandes modelos de linguagem, sobretudo na capacidade de tratar texto e imagem.
A NVIDIA também tem presença na cidade, tal como outras empresas de tecnologia.
Se leste noutros sítios outras datas para a Meta ou a Microsoft, como 2013, não as conseguimos confirmar.
Porquê Zurique
A razão mais citada são as pessoas. A ETH Zurique e a EPFL, em Lausanne, estão entre as melhores universidades do mundo nesta área, e as empresas querem estar perto de quem lá se forma. Segundo a Netzwoche, que cita o jornal NZZ, as grandes empresas financiam investigação na ETH, oferecem estágios e mentores. A Google terá dado 500 000 francos ao centro de IA da ETH em 2026.
Os casos acima mostram outra coisa: quando uma equipa boa sai de uma empresa, muitas vezes fica na mesma cidade, noutra empresa.
Nem toda a gente vê isto como boa notícia
O diretor do centro de IA da ETH, Andreas Krause, disse à imprensa que muitos dos seus diplomados vão para estas grandes empresas, e que isso é um problema para a soberania digital da Suíça. As start-ups suíças queixam-se também de ter menos investimento do que as de outros países, e um responsável citado pela Netzwoche diz que as empresas americanas pagam várias vezes mais.
Por isso, a Suíça também desenvolve os seus próprios modelos. Falámos do Apertus, o modelo aberto suíço, noutro artigo.
Conferências em Zurique
Duas datas confirmadas nos sites oficiais:
1. Swiss AI Summit: 16 de novembro de 2026, no Kunsthaus Zürich. A organização anuncia cerca de 40 oradores e 400 participantes. O bilhete de um dia está listado a 589 francos, e a 349 para start-ups, segundo a Suíça Turismo. Confirma o preço no site antes de comprares.
2. GenAI Zürich: 24 e 25 de fevereiro de 2027, no Volkshaus Zürich. É uma cimeira sobre IA generativa aplicada, com palestras, workshops e um hackathon. As candidaturas ao prémio GenAI Zürich fecham a 22 de novembro de 2026. O preço de 2027 está no site.
São eventos para profissionais e empresas, e não feiras de emprego. Para quem já trabalha nesta área, podem ser uma boa forma de conhecer pessoas. Para quem está a começar, compara o preço com o que podes ganhar com isso, e procura também encontros mais pequenos e workshops.
Em 2027, Genebra deverá receber também uma cimeira internacional sobre IA (Geneva AI Summit), com o envolvimento do Departamento Federal dos Negócios Estrangeiros.
Posso ir trabalhar para lá?
Sejamos honestos: a maioria destes lugares é para especialistas de alto nível, com formação sólida e experiência internacional. A concorrência vem do mundo inteiro. Não é um caminho para quem chega à Suíça à procura de um primeiro emprego, e não encontrámos dados fiáveis sobre o número de vagas ou os salários. Os valores que circulam em sites de carreiras não são verificados, por isso não os repetimos.
Se trabalhas em informática ou investigação:
1. Candidata-te diretamente, sempre pela página de carreiras oficial de cada empresa. Desconfia de quem te pede dinheiro para te arranjar um lugar: vê as burlas mais comuns.
2. Lê o anúncio com atenção para veres em que língua se trabalha. Em muitos anúncios internacionais pede-se inglês, mas Zurique fica na Suíça alemã, e no dia a dia o alemão ajuda muito: na casa, nas escolas e nos seguros. Vê o guia das línguas.
3. Prepara um CV no formato suíço e adapta-o a cada anúncio.
4. Olha também para além destes nomes: bancos, seguradoras, hospitais, indústria e PME também precisam de quem saiba de informática.
5. Faz as contas antes de aceitares: Zurique é uma das zonas mais caras do país. Vê a calculadora do custo de vida e o guia da casa.
6. Se não és cidadão da UE/EFTA, confirma primeiro as regras da autorização de trabalho.
E se ainda és jovem e queres entrar nesta área? A aprendizagem CFC é um caminho respeitado na Suíça.
E para quem não trabalha em IA?
A IA também chega às pequenas empresas: um assistente que responde a perguntas frequentes, a preparação de orçamentos ou a organização de documentos, por exemplo. Duas regras antes de começares:
1. Não coloques dados pessoais de clientes ou de saúde numa ferramenta sem saberes onde ficam e quem os pode ler. Na Suíça, aplica-se a lei de proteção de dados.
2. Verifica sempre o resultado. A IA engana-se, como mostrámos no artigo sobre os chatbots e a saúde.
Transparência: o Rumo Suíça usa a IA da Anthropic, uma das empresas referidas, no diagnóstico e noutras ferramentas. Pagamos esse serviço e não recebemos dinheiro de nenhuma destas empresas.
És de uma empresa e queres um assistente de IA à medida, automatizar tarefas repetitivas ou criar uma aplicação? A RSCOM, a empresa do fundador do Rumo Suíça, é especializada em informática e trabalha com IA e automatização na Suíça francesa: rscom.ch.
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