Vida na Suíça ·
Solidão, cansaço e depressão na Suíça: onde pedir ajuda (e o que o seguro paga)
Muitos emigrantes sentem-se sós ou em baixo. As linhas de ajuda (143, 147), o que o seguro de saúde paga (psiquiatra, psicoterapia com prescrição), como falar em português e o que ajuda no dia a dia.
Por Ricardo Da Silva, fundador do Rumo Suíça, na Suíça há mais de 30 anos
Verificado e atualizado a
A solidão, o cansaço e a tristeza que não passa não são fraqueza: acontecem a muita gente na Suíça, e mais ainda a quem vive longe da família. A boa notícia é que há ajuda, e o seguro de saúde paga grande parte do tratamento. Se precisas de falar com alguém agora, liga para o 143, a qualquer hora do dia e da noite.
Não és o único
Segundo o Inquérito Suíço sobre a Saúde de 2022, do Departamento Federal de Estatística (OFS), publicado em novembro de 2023, 18 % das pessoas tinham sofrimento psicológico, contra 15 % em 2017. Os mais afetados são os jovens dos 15 aos 24 anos, sobretudo as raparigas e as mulheres jovens. Ao mesmo tempo, 83 % das pessoas diziam-se felizes. O próximo inquérito é de 2027.
Segundo a Pro Senectute, 37 % das pessoas com 85 anos ou mais sofrem de solidão: cerca de 90 000 idosos.
Para quem emigrou, junta-se a distância: os pais e os amigos longe, a língua, o trabalho duro, uma vida social suíça que pode parecer fechada no início.
Estar sozinho e sentir-se só não são a mesma coisa. Mas se a solidão, a tristeza, o cansaço ou a falta de vontade duram semanas, vale a pena pedir ajuda.
Onde pedir ajuda, já
143, La Main Tendue (Die Dargebotene Hand, Telefono Amico): para adultos, a qualquer hora, anónimo e confidencial. Também por email e chat em 143.ch.
147, Pro Juventute: para crianças e jovens, a qualquer hora, por telefone, WhatsApp e chat.
Numa emergência, se alguém corre perigo: 144 (ambulância) ou 112.
Pro Senectute (058 591 15 15): apoio às pessoas idosas, incluindo visitas a casa.
Pais esgotados: Pro Juventute Conselho aos pais, 058 261 61 61, a qualquer hora.
Estas linhas funcionam em francês, alemão e italiano. Se o teu francês ou alemão ainda é fraco, não deixes de ligar: fala devagar, explica que és português, eles ajudam.
Para informação em linha, o site oficial SantéPsy.ch explica os problemas de saúde mental e onde encontrar ajuda na Suíça francesa.
O seguro de saúde paga
Na Suíça, o seguro de saúde de base (LAMal) paga o tratamento da saúde mental, como para a saúde física (depois da franquia e da tua parte de 10 %):
as consultas com o médico de família e com um psiquiatra;
desde 1 de julho de 2022, a psicoterapia com um psicólogo-psicoterapeuta reconhecido, se o médico a prescrever: até 15 sessões por prescrição, renováveis com nova prescrição;
o internamento numa clínica, se for preciso.
O primeiro passo é o teu médico de família: fala-lhe com franqueza de como te sentes. É ele que pode prescrever a psicoterapia.
Preferes falar em português? Procura um psicólogo ou um médico que fale português no nosso diretório de profissionais ou pergunta ao teu consulado e às associações portuguesas da tua zona.
O que ajuda no dia a dia
Aprender a língua da região: abre portas no trabalho e nas amizades.
Juntar-te a uma associação, um clube de futebol, um grupo de caminhada, um coro, uma paróquia: vê as associações portuguesas no mapa da comunidade portuguesa.
Mexer o corpo: caminhar ao ar livre, nadar, andar de bicicleta.
Dormir o suficiente e não abusar do álcool, que piora a tristeza.
Falar regularmente com a família e os amigos em Portugal, mas também criar laços aqui.
Em Neuchâtel, os médicos podem até receitar visitas gratuitas aos museus da cidade, num projeto-piloto, para complementar o tratamento da depressão e do isolamento.
Se estás preocupado com alguém
Se um colega, um vizinho ou um familiar parece diferente, isolado ou muito em baixo, pergunta-lhe simplesmente como está, e ouve. Não precisas de ter as respostas: podes ajudá-lo a ligar para o 143 ou a marcar uma consulta com o médico. Se achas que corre perigo, liga para o 144.
O site parler-peut-sauver.ch, das autoridades suíças, dá conselhos para falar com alguém que não está bem.
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