Vida na Suíça ·
Vírus e segurança no telemóvel: 7 mitos e o que diz a Confederação
Mac sem vírus, o cadeado do https, o wifi público, o antivírus que chega: as ideias feitas sobre segurança no telemóvel e no computador, o que diz o serviço federal da cibersegurança (OFCS) e o que fazer se achas que estás infetado.
O Paulo vive em Lucerna e recebe um email da «SBB» (os comboios suíços): alguém teria comprado um bilhete com a conta dele, a partir de um aparelho desconhecido. Assustado, carrega no botão «Não fui eu». O telemóvel descarrega uma aplicação e avisa que ela vem de uma «fonte desconhecida», mas a página explica como desligar esse aviso. O Paulo pensa: «tenho antivírus, não há problema». Em maio de 2025, o Office fédéral de la cybersécurité (OFCS, em alemão BACS, o serviço federal da cibersegurança) avisou precisamente contra estes emails falsos: a aplicação era um vírus feito para roubar dados.
Vamos ver as ideias feitas mais comuns sobre vírus e segurança, e o que diz o OFCS. A boa notícia: o próprio OFCS chama «mito» à ideia de que a cibersegurança é complicada. Poucas regras simples evitam muitos problemas.
Mito 1: «Mac e Apple não apanham vírus»
Falso. Em junho de 2024, o OFCS avisou de uma grande campanha de emails falsos em nome do AGOV (o login das administrações públicas suíças), dirigida a pessoas na Suíça alemã. O link levava a descarregar um programa para computadores Mac. Na verdade era um vírus (o «Poseidon Stealer») que recolhia dados do computador e os enviava aos criminosos. O conselho do OFCS: apagar o email e, se o programa foi instalado, repor o aparelho. Seja qual for a marca, as regras são as mesmas.
Mito 2: «Não tenho nada de interessante para roubar»
O OFCS explica que os burlões juntam pedaços de informação aparentemente sem importância, vindos de várias fontes, para criar um perfil completo da vítima. Com esse perfil, as burlas seguintes ficam muito mais credíveis. E os dados roubados são revendidos a outros grupos de criminosos, como uma mercadoria. Os teus dados valem dinheiro, mesmo que a tua vida te pareça banal.
Mito 3: «Tenho antivírus, estou protegido»
O OFCS recomenda um antivírus com atualização automática, mas como uma medida entre várias. Segundo o OFCS, a maior parte dos ataques passa por sistemas desatualizados e mal protegidos, ou por email e aplicações de mensagens: muitas vezes é a própria pessoa que é enganada. Nenhum antivírus te salva se tu próprio desativas o aviso do telemóvel, como o Paulo.
Mito 4: «Tem o cadeado (https), o site é seguro»
Falso. O OFCS é claro: o cadeado na barra de endereço não quer dizer que o site seja de confiança. Quer só dizer que a ligação é cifrada, ou seja, que os dados viajam protegidos. Quase todos os sites de burla já usam o cadeado para parecerem sérios.
Antes de comprar num site que não conheces, o OFCS sugere combinar várias verificações: o endereço (erros de escrita, hífens estranhos), as avaliações, a morada e a inscrição da empresa no zefix.ch (o registo do comércio suíço). Vê também o nosso artigo sobre compras online na Suíça.
Mito 5: «O wifi público é igual ao de casa»
Não é. Muitas redes públicas não são cifradas, e qualquer pessoa pode ler o que lá passa. Além disso, um burlão pode criar com o telemóvel uma rede com o nome que quiser, parecido com o do aeroporto ou do café. O OFCS aconselha:
1. Confirmar o nome exato da rede (na dúvida, pergunta ao pessoal).
2. Não fazer e-banking nem ler emails confidenciais num wifi público.
3. Desativar a ligação automática às redes wifi abertas.
4. Nunca ignorar um aviso de certificado no browser ou na aplicação.
5. Na dúvida, usar os dados móveis ou uma VPN de um fornecedor de confiança (também há fornecedores de VPN desonestos).
Mito 6: «Instalei pela loja oficial, por isso não há risco»
A loja oficial (Google Play, App Store) é de facto o sítio certo: o OFCS recomenda instalar aplicações só a partir das lojas oficiais ou do site oficial do fabricante, e nunca a partir de um link recebido por email ou SMS. Mas, mesmo na loja oficial, o OFCS aconselha a instalar só o que precisas, a ver as avaliações e a verificar as autorizações (acessos) que a aplicação pede.
Mito 7: «As atualizações podem esperar»
As atualizações corrigem falhas de segurança. Enquanto não as instalas, os criminosos podem usar essas falhas para meter um vírus no aparelho e roubar dados de acesso ou de cartões. O OFCS recomenda ativar as atualizações automáticas do sistema e de todas as aplicações.
S-U-P-E-R.ch: a campanha oficial
O OFCS tem uma campanha de prevenção, a S-U-P-E-R.ch, feita com a Prevenção Suíça da Criminalidade (das polícias), a SBB, a Associação Suíça de Seguros e os Correios. O lema, em alemão, é «Was super tönt, ist es meist nicht»: o que parece bom demais, normalmente não é. Tem exemplos de burlas e um questionário.
A lista prática
1. Atualizações automáticas ativadas em todo o lado.
2. Autenticação em dois fatores (um código além da palavra-passe) em todo o lado onde for possível, a começar pelo email e pelo e-banking.
3. Uma palavra-passe diferente para cada serviço, com pelo menos 12 caracteres. Um gestor de palavras-passe (protegido com dois fatores) ajuda a não as esquecer.
4. Cópias de segurança regulares (na nuvem, no computador ou num disco externo).
5. Nunca dês uma palavra-passe ou um código por telefone ou email: as empresas sérias não os pedem.
Achas que o teu telemóvel ou computador está infetado?
O OFCS aconselha:
1. Desliga o aparelho da internet (wifi, dados móveis, cabo).
2. Não entres no e-banking, no email nem noutros serviços importantes a partir desse aparelho.
3. Muda as palavras-passe importantes a partir de outro aparelho que sabes estar limpo, e ativa os dois fatores. Na conta Google ou Apple, retira os aparelhos que não conheces.
4. Num telemóvel, apaga as aplicações suspeitas e atualiza tudo. Se não tens a certeza de ter limpo tudo, guarda os teus dados e faz a reposição de origem (reset). Num computador, pode ser preciso reinstalar o sistema.
5. Se te pedem um resgate para desbloquear os ficheiros, não pagues. Desliga logo as cópias de segurança da rede.
6. Se foram roubados dados bancários, avisa já o banco ou a empresa do cartão e vigia as contas.
Onde denunciar
1. Ao OFCS, pelo formulário oficial (em francês, alemão, italiano ou inglês). Não é vigiado 24 horas por dia e, salvo alguns casos de burla online, não serve para apresentar queixa.
2. Um email de phishing (que tenta roubar os teus dados): reencaminha-o para reports@antiphishing.ch. Um site falso: denuncia-o em antiphishing.ch.
3. À polícia, para apresentar queixa. Em caso de urgência, liga 117 ou 112. Vê o guia das burlas.