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Vida na Suíça ·

Falsas mensagens da alfândega suíça: «a tua encomenda está retida, paga as taxas»

SMS, emails, chamadas e até cartas com código QR em nome da alfândega suíça (BAZG/OFDF) pedem para pagares taxas de uma encomenda. É burla: a alfândega não pede pagamentos por email nem por SMS e não te liga antes. Como reconhecer e o que fazer.

A Carla, em Neuchâtel, encomendou umas sapatilhas pela internet. Dois dias depois recebe um SMS: «A sua encomenda está retida no centro aduaneiro. Pague as taxas de importação para a receber.» Tem um link, um valor pequeno e um prazo curto. Parece normal, porque ela está mesmo à espera de uma encomenda. É precisamente com isso que os burlões contam.

O Serviço Federal da Alfândega e da Segurança das Fronteiras (OFDF em francês, BAZG em alemão) avisa que há cada vez mais mensagens falsas em seu nome, enviadas a particulares e a empresas. O objetivo é sempre o mesmo: fazer-te pagar, ou roubar os dados do teu cartão.

As formas que a burla toma

1. SMS ou email: a encomenda está «retida na alfândega» ou «num centro aduaneiro», e há taxas de importação ou IVA para pagar antes da entrega, às vezes com uma «taxa de entrega» a mais.

2. Chamada antes da mensagem: alguém liga, apresenta-se como especialista da alfândega para ganhar a tua confiança, e só depois chega o SMS ou o email.

3. Carta na caixa do correio: uma carta em papel, com o logótipo e o aspeto da alfândega bem imitados, diz que um envio internacional está a ser desalfandegado. Traz os dados da encomenda, o valor a pagar e um código QR. O código leva a um site falso.

4. Pagamento com cartões pré-pagos: pedem-te para comprar um código de um cartão pré-pago (os que se vendem nos quiosques e nas estações de serviço) e enviar o código de 16 algarismos por email. Isto nunca é um pagamento verdadeiro.

5. A encomenda «milagrosa»: um email diz que a alfândega intercetou uma encomenda para ti com um cartão de crédito cheio de dinheiro, e que tens de contactar uma pessoa para a receber. Não há cartão nenhum.

Os endereços de email dos burlões imitam os oficiais, com pequenas diferenças (um traço a mais, um domínio estrangeiro, «douane-gouv» em vez de admin.ch). Os documentos que juntam, os números de telefone e de fax também são falsos.

O que a alfândega verdadeira nunca faz

A alfândega diz claramente:

1. Não envia pedidos de pagamento por email nem por SMS.

2. Nunca liga antes a particulares nem a empresas.

Outro sinal: as mensagens falsas começam muitas vezes com uma saudação geral, como «Caro(a) cliente», sem o teu nome.

Quando há mesmo taxas a pagar por uma encomenda que vem do estrangeiro, é a empresa que te entrega a encomenda (os Correios ou outra transportadora) que trata disso. Na dúvida, não carregues em nada: vai tu ao site ou à aplicação oficial da transportadora e escreve tu o número de envio que recebeste da loja onde compraste.

Recebeste uma mensagem destas?

1. Não carregues no link e não respondas. Apaga a mensagem.

2. Carta com código QR que não esperavas: tem muito cuidado antes de o ler e, se o leres, vê bem o endereço do site que se abre. Na dúvida, não continues.

3. Nunca dês o número do cartão nem códigos de cartões pré-pagos a ninguém que os peça por mensagem ou telefone.

4. Avisa o Serviço Federal de Cibersegurança (OFCS) pelo formulário online, para ajudar a proteger outras pessoas: report.ncsc.admin.ch.

Já pagaste ou deste os dados do cartão?

Não percas tempo e não tenhas vergonha: acontece a muita gente.

1. Liga já ao teu banco ou à empresa do teu cartão de crédito e pede para bloquear o cartão. O número está nas costas do cartão e no site do banco.

2. Se perdeste dinheiro, apresenta queixa na polícia e avisa o OFCS. Guarda as mensagens, os prints e os comprovativos.

3. Muda as palavras-passe se as escreveste num site falso.

A alfândega lembra que não se responsabiliza por pagamentos feitos a burlões em seu nome: o dinheiro só pode ser recuperado através do banco ou da polícia, e muitas vezes já não é possível. Por isso, o melhor é parar antes de pagar.

Para as compras que fazes na fronteira e as regras da alfândega quando entras na Suíça, vê a nossa página sobre as compras na fronteira.